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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

mais uma crónica magnífica a MALHAR neles todos....

"Bastou que o Porto perdesse para que logo viessem falar das arbitragens. Eu sei que deve ter custado perder assim.

Nestes últimos dias (independentemente das polémicas, dos objectivos da obra original e do momento da sua publicação), veio-me à memória 'A velhice do Padre Eterno', de Guerra Junqueiro.
A história conta-se, como em todas as ligadas ao futebol, em poucas palavras, porque, normalmente, por aqui há mais acções (não confundir com boas acções) que pensamentos.
Recentemente, a propósito de um jogo do Benfica, em que não participava nenhum dos clubes da velha aliança, um presidente, com o sarcasmo (e a impunidade) a que há muito nos habituou, afirmou que «arbitragem vai ser discutida sempre que o Benfica não ganhar».
Sabem o que aconteceu, no fim de semana seguinte, com a derrota do seu clube, com lances polémicos em seu claro prejuízo.
Com a sem vergonha a que nos habituou, por dizer tudo e o seu contrário, sem ninguém ter coragem de o questionar sobre tanta incoerência, o tal presidente lá mandou arrasar a arbitragem, apesar de o Benfica ter ganho.
Uma semana foi o tempo que mediou entre essa declaração e a quebra dessa convicção!
Bastou que o Porto perdesse para que logo viessem falar de arbitragem.
Eu sei que deve ter custado perder assim!
Como a mim me custa perder (ou empatar, como foi o caso da jornada anterior) com erros gritantes dos árbitros.
Mas quem, na época passada afirmava que o Sporting é que devia ser campeão, não pode estranhar, agora, que julguem que a declaração ainda estará em vigor.
O ódio ao Benfica turva-lhes o pensamento.
E as vitórias, que «não soem já como soíam» (o Camões dá sem jeito para responder a um intelectual que se julga superior num mundo pouco dado a essas coisas) agravam-lhes a hipocrisia.
Eu devo preocupá-los muito.
Porque de uma previsão (iguais às deles, mas sem a disfarçar com posturas pensativas, para esconderem os risos alarves do desejo das nossas derrotas) fazem um caso de lesa majestade.
E porque sabem que os lambe botas do costume, os que precisam deles para sobreviver, lhes servirão fatias de subserviência disfarçadas de solidariedade.
Estou tranquilo quanto sem medo de os voltar a desafiar.
Tentarão uma e outra e outra vez a minha saída dos lugares que ocupo, na comunicação social, na estrutura do Benfica, em tudo quanto a minha imagem e as minhas posições os possam ameaçar, com a conivência dos que estão sempre dispostos a fazer-lhes a vontade.
Aprendi, lá dentro, em muita conversa, mas com muitos factos, tudo o que sei hoje sobre esta realidade (e, já agora, que não conhecia em 2004, quando era Ministro, como alguns gostam de relembrar).
Por isso recordei, perante tanta virgem ofendida e tanta hipocrisia, 'A velhice do Padre Eterno', de Guerra Junqueiro.
Reli, citando o autor, a suspeita de que «o velhote dança e sabe assobiar».
Ao toque desse assobio, lá vieram os do costume com a solidariedade bacoca e provinciana, mesmo que alguns sejam da capital (que não a de Eça).
Guerra Junqueiro alude ao pisar do «dragão pecado», com um «sorriso divino» e um leão.
Por mim, nem tanto ao mar nem tanto à terra.
Bem sei que as pessoas, talvez com a idade, tenham menos percepção da inconsequência e da incontinência verbal em que, não raras vezes, incorrem.
Sei, também, que o que defendem hoje nada têm a ver com o que disseram anteriormente.
Talvez porque julguem - e bem - que o futebol é a área da vida onde mais vemos aplicados os ensinamentos de Nicolau Maquiavel: «os fins justificam os meios».
Bem sei que a falta de carácter potencia a inteligência, e por isso não me preocupo com o que vão dizendo e fazendo.
Excepto quando, sob a capa da «graçola e da parolice», passam os dias a dizer reiteradamente mal do meu clube.
Durante a época passada foram sucessivos os ataques, semana após semana, para tentar desestabilizar o Benfica, para evitarem o tricampeonato.
Este ano vão pelo mesmo caminho.
Por isso, poderão continuar os ataques cerrados que me fazem.
Poderão, até continuar a aprovar leis na Liga contra mim, por iniciativa de clubes que só querem que o Benfica perca, fazendo tábua rasa da liberdade de expressão e correndo o risco de serem publicamente envergonhados - se a aplicarem - quando virem anulada a iniciativa por um tribunal, por manifesta inconstitucionalidade.
Até porque ao julgador se exige um juízo prévio de conformidade da norma com as que lhe são superiores. Ou não será?
Já agora (e para ver se eu tenho mesmo medo) porque não sancionar a minha presença no 'Dia Seguinte', na SIC, com a pena de morte?
Era tão inconstitucional como a norma que aprovaram e resolviam o problema que têm comigo de vez.
Por mim, e se o não fizerem (vontade e ameaças nesse sentido, nas redes sociais, não faltam), cá continuarei e lutar e a defender, de forma intransigente, os interesses do Sport Lisboa e Benfica.

A velha aliança
Na época passada,«ambos os dois» (o futebolês não me sai da cabeça) decidiram adoptar uma estratégia de comunicação em que reinava a maledicência e a insinuação, com várias manobras de desestabilização do Benfica.
Sabemos, hoje, que essa estratégia não chegou para nos derrotar.
Esta época não será diferente, com os meios a serem os mesmos, já que o importante será atingir os fins: que o Benfica não ganhe.
Nós continuaremos a querer ganhar, apenas e só.
Não obstante, e depois do primeiro confronto da época entre os membros davelha aliança, será que a estratégia - e, por maioria de razão, velha aliança - cedeu perante o resultado?
Em circunstâncias normais, diria que tudo cede perante o resultado, porque, como diria José Mourinho, «o resultado é que faz o espectáculo».
Terá sido assim, no domingo passado?
Em Alvalade, como todos suspeitávamos venceu o elogio recente o desesperado.
Confesso que, durante o jogo, temi que o tempo em que a equipa do Porto corria atrás dos árbitros quando se sentia prejudicada voltasse.
Velhos tempos (sem qualquer graça à velhice do padre eterno) que, afinal, não voltaram.
Uma certeza apenas: a não perder as cenas dos próximos capítulos.
Até porque ainda vamos ver uns a queixarem-se de as reuniões de pais de uma equipa de um escalão de formação dos outros se confundir com uma cimeira da arbitragem portuguesa.
Mas, como isso não se passa no Benfica, «ditosa pátria, que tais filhos tem»!

Filhos e enteados
 desconfiávamos. Os outros presidentes, podem dizer tudo o que quiserem, contra o árbitro e tudo à volta. Vale tudo e tudo lhes é permitido.
Quem não pode - sequer - desabafar, depois de um jogo em que o árbitro prejudicou (como já o havia feito anteriormente, em 2 jogos da época passada) o Benfica, é Luís Filipe Vieira.
Uns são corruptos, outros são invejosos, outros são obedientes por não terem cabeça para mais, mas todos eles coincidem num só objectivo: vale tudo, mesmo tudo, para o Benfica não ganhar!
Ele há filhos e enteados!
E depois querem que me cale???"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

a caminho do TRICAMPEONATO?

"Recuso-me a ver nos outros máquinas vencedores perfeitas... nos fins de semana em que não empatam ou perdem...

«No futebol não há tempo, não há futuro»
Pepe Guardiola
No desporto de alta competição, como é o caso do futebol, «não há tempo, não há futuro». Disse-o Pepe Guardiola. Vem isto a propósito da mudança, na classificação do campeonato nacional, que aconteceu este fim-de-semana.
Para alguns, há uma semana, o Benfica estava completamente afastado do título.
Para os mesmos, esta semana, o Benfica passou a ser um campeão com elevado potencial para conquistar o Tri.
Não entro em euforias... como me recuso, também, a entrar em depressões!
Não alinho na máquina de alguma comunicação social, que tem como grande preocupação vender à custa dessas alterações de estado de alma dos sócios, adeptos e simpatizantes do Benfica.
Como me recuso a ver nos outros - só porque mantiveram um treinador ou só porque passaram a ter como treinador alguém que no Benfica ganhou alguma coisa - máquinas vencedoras perfeitas... nos fins-de-semana em que não empatam ou perdem!
Por isso - sem qualquer entusiasmo excessivo, mas com todo o realismo - eu acredito na conquista do Tricampeonato pelo Benfica!
Mas, para se perceber porque acho muito realista a possibilidade do Benfica ser novamente campeão,... porque não perder algum tempo a analisar cada uma dessas três equipas?

O que vale esta equipa do Porto?
O Porto contratou um guarda-redes mediático. A julgar pelo que leio, ainda não percebi o que vale Casillas (com quem, reconheço, simpatizo muito... como jogador e como personalidade).
Ele é, efectivamente, a tal mais-valia, capaz de ser determinante num plantel mediano, como vejo, agora, na comunicação social, ou é o guarda-redes velho e ultrapassado que a mesma comunicação social reconhecia em Casillas, com todos os defeitos do mundo,... quando Mourinho o colocava no banco de suplentes, no Real Madrid, e essa mesma comunicação se atropelava para bajular o special one em versão meseta castelhana?
Não acredito que os jornais portugueses sejam chauvinistas.
Portanto, tenho que reconhecer que os jornais portugueses tinham, na altura, razão: Casillas já não é o guarda-redes que era!
Quanto à defesa do Porto, Danilo foi para o Real Madrid, o que significa que é muito superior a Maxi Pereira (senão, teria sido este a rumar ao Santiago de Barnabéu).
Qualquer defesa-esquerdo que encontrem será, sempre, muito pior que Alex Sandro.
Como, diga-se em abono da verdade, Quaresma é muito melhor que Varela ou Jesus Corona.
Óliver Torres é manifestamente superior a André André, pois, se assim não fosse - até pelo preço - este estaria no Atlético de Madrid e não no Porto.
Jackson Martínez é muito melhor que Pablo Osvaldo e Aboubakar juntos - não é, comunicação social? Ora, com estas comparações, será fácil concluir que o Porto este ano é bem inferior ao Porto do ano passado. Este plantel, bem mais fraquinho, não pode, por isso, ser comparado com o melhor plantel desse clube desde há 30 anos - que perdeu tudo na época para um plantel jeitoso do Benfica - e que até queria ser Campeão Europeu (até aos 6-1 de Munique).
Melhor, apenas, no meu critério de análise, Imbula, apesar de ter de jogar onde joga Danilo Pereira (não confundir com o Danilo que foi para o Real Madrid) mas cuja presença na equipa agrava as dificuldades na construção de jogo...
Como se isso não bastasse, o Porto tem, entre si, aquele que é a grande esperança das equipas e dos adeptos adversários (e que faz desesperar os seus próprios adeptos): Julen Lopetegui, ou como li, este fim-de-semana (para nós),... o homem errado no lugar certo.
Ainda assim, acham que este Porto é o principal candidato ao título?
Olhem que não...

E este Sporting?
E o Sporting? Está melhor que o ano passado? Sim, claro! Embora não fosse difícil. Mas, vejamos... Rui Patrício... perdoem-me a minha fixação, será o melhor guarda-redes português!
Mas, para além de não ter pés - como, aliás, se viu no jogo do Bessa -, defende o que é difícil e falha o que é muito fácil...
Continuo a achar que não é o guarda-redes que dizem ser... por quem tem a obrigação de analisar objectivamente a realidade.
Os mesmos que já fizeram do Sporting o campeão nacional desta época que ainda há pouco começou.
E que nem a recente eliminação da Liga dos Campeões, com o CSKA, e a derrota com Lokomotiv esmoreceu (talvez o problema seja, efectivamente, da Gazprom).
Relativamente à defesa, é melhor que a do ano passado, mas não existe uma diferença abissal entre elas.
Já no que diz respeito ao meio campo leonino, são jogadores feitos, sem grande pulmão, para aguentar a época em Portugal...
Aquilani e Bryan Ruiz são jogadores de uma qualidade espantosa, mas lentos, o que não joga com o tipo de jogo do novo treinador leonino.
Teófilo Gutiérrez dará mais soluções à equipa mas não será capaz de desequilibrar em todos os jogos. 
Jogador com velocidade, como ele gosta, só Gelson, no pressuposto que Carrillo não vai jogar mais até ao fim da época - o que, sinceramente, duvido!
Apenas para memória futura,... estou perfeitamente convencido de que chegará a acordo nos próximos dias com o Sporting para jogar até ao fim do ano, sendo vendido em Janeiro. Essa é a minha convicção!
Uma vantagem para não ser tudo mau: o Sporting manteve a dupla atacante.
E se, cada vez mais, gosto de Slimani (um Óscar Cardozo em projecto), já quanto a Fredy Montero, embora goste de o ver, continuo sem perceber como, como tantos bons jogadores por aqueles lados, naquela posição, pôde ser considerado, há dois anos, como o exemplo de avançado que o Sporting gostaria de formar e de ter...
Por fim, mas não menos importante, o treinador foi três vezes campeão nacional no seu antigo clube, o Benfica,... sempre com algumas dificuldades, com três equipas diferentes, embora bastante superiores às do Sporting de hoje.
Jorge Jesus, no seu primeiro campeonato conquistado pelo BENFICA, em 2009/10, jogava, então, com Quim, Maxi, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi García, Ramires, Aimar, Dí Maria, Saviola e Cardozo.
Bem melhor que o Sporting actual.
Sabem como acabou?
Com 5 pontos de vantagem, para o segundo classificado, o Braga, porque na última jornada este perdeu no Nacional e o Benfica ganhou, em casa, ao Rio Ave,... 2-l.
No segundo campeonato que conquistou, em 2013/14, o Benfica terminou com uma distância de 7 pontos para o segundo classificado, o Sporting, mas jogavam então, Oblak, Maxi, Luisão, Garay, Siqueira, Fejsa, Enzo, Gaitán, Salvio, Lima e Rodrigo e ainda tivemos Artur, Jardel, Matic, Markovic, André Gomes e Cardozo.
Bem melhor que o Sporting actual.
No terceiro e último campeonato conquistado, na época passada, o BENFICA terminou com mais 3 pontos que o segundo classificado, o Porto.
Nessa equipa, jogaram Júlio César, Maxi, Luisão, Jardel, Eliseu, Samaris, Gaitán, Salvio, Talisca, Lima e Jonas, para além de Enzo, Fejsa e Pizzi.
Bem melhor que o Sporting actual.
Ou seja, o treinador do Sporting só ganhou quando tinha grandes equipas... algo que actualmente, reconheçamos, não tem!
Tudo isto para não falar das equipas do Benfica dos campeonatos perdidos contra as super equipas do Porto lideradas por, então, treinadores de grande nível mundial como Villas Boas ou Vítor Pereira, que... nunca tinham ganho nada até então e que pouco ou nada ganharam desde então!!!
Face a esse cenário, amigos do Sporting, estão a ver o que vos espera???

Quanto ao Benfica...
Já sabem que do Benfica... nada ou muito pouco sei... Mas, como se sabe, a equipa está a adaptar-se a uma nova realidade.
De facto, a grande mudança é a do treinador e tudo o que isso implica: novas ideias e novos métodos de treino. Finalmente, temos um treinador que sabe o que é ser do Benfica, que prometeu dar a vida pelo clube e que sabe que o símbolo é mais importante que qualquer jogador.
Isso não o fará vencer, nem o tornará imune a qualquer crítica construtiva, mas que ajuda,... lá isso ajuda. E muito!!!
Essa será a grande diferença do Benfica deste ano.
Por isso, penso que será, apenas e só, uma questão de tempo.
Vamos a isso, Benfica?"

Rui Gomes da Silva, in A Bola